quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Baunilha"

Aquela garota se sentia deslocada. Ela era diferente. Para alguns até estranha. Era o tipo de menina que dá atenção a coisas pequenas. Ela adorava o cheiro dos livros. Para ela cada livro tinha um perfume diferente. Ela não sabia bem se era o tipo de papel em que o livro era impresso ou se eram as palavras, que conforme o estilo, recheavam cada um como uma bomba de chocolate. Livros novos tinham um cheiro seco. Nem por isso era pior. Mas era oco, um cheiro esperando por resposta. Por leitura. Ela achava que aqueles que haviam sido lidos poucas vezes, por mais que fossem antigos, tinham um cheiro efêmero. Um cheiro curto, um cheiro que não durava. Não permanecia.
Os livros antigos, já lidos muitas vezes, eram seus preferidos. Quando pequena gostava mais do cheiro deles do que da história em si. Livros velhos tinham um cheiro doce. Ela folheava as páginas com rapidez, e tirava suas conclusões. Era como cheiro de baunilha. Isso mesmo. Baunilha. Um cheiro doce e leve. Por alguns momentos ela se sentia quase “o boticário da cidade”. Descobrindo fragrâncias e criando perfumes.

Depois de um longo e tortuoso dia, ela esqueceu-se disso. Sentou no banco da varanda, e observou o mar de luzes á sua volta. Estava frio. Mas aconchegante. Ele chegou como quem não quer nada e a abraçou. Disse no ouvido dela que a amava.
- Estou com frio. – ela respondeu.
Ele sem dizer palavra, entrou e pegou um cobertor.
Ela estava em dúvida. Vivera por tanto tempo com coisas certas e decisões sem exceções. Certezas sempre. E por isso essa dúvida a assustava. Por um segundo ela queria afundar a cabeça, os cabelos e pensamentos num travesseiro enorme. Ela precisava pensar, porque não sabia onde estava agora. Sua paixão. Ela a procurava pelos cantos da alma e sempre a encontrava escondida. Tristonha. Abalada. Indecisa.
- Aqui está. – disse ele acomodando a coberta nos ombros da garota. Ele sentou-se junto dela. Só o que ele queria era ficar ali.
- Eu queria ficar assim pra vida toda.
- Assim como? – pediu a menina, confusa.
- Assim... Sentado num banco, na varanda. Com você. Eu sei que não sou assim o tempo todo, mas eu tento. Só o que quero é que você acredite em mim.
Ela olhou pra ele e deu de cara com aqueles grandes olhos amendoados que a fitavam. Notou aquilo que viu quando o conheceu. Aquela faísca de aventura e desejo. E aí; a dúvida passou.
- Eu te amo muito. Me desculpe.
Ela cessou as palavras e as antigas conclusões. Esqueceu-se de tudo e se entregou. Àquela aventura, rodeada de luzes da cidade. Ela lhe sorriu a felicidade em dentes.E ele lhe sorriu o fim da dúvida.
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"In my dreams I can see you
I can tell you, how I feel
In my dreams I can hold you
And it feel so real
I still feel the pain
I still feel your love
And somehow I knew, you could never, never stay."
Anathema - One Last Goodbye

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Teu Refrão

É eu preciso te contar. Foi muito sutil. Mas ainda assim foi lindo. Eu costumava ser tranquila. Mas isso se foi, quando você chegou. Eu realmente perdi muita coisa. Mas se for pra ter você eu aceito. E é tudo o que eu penso, o que eu necessito. É que você apareceu, tão simplesmente, que até me assustou.

Não me pergunte o que eu vou fazer. Nem o que vou ouvir e falar. Eu não sei. Só quero me sentir o mais próxima de você o possível. Eu anseio tanto pelos nossos dias. Mas tenho medo. Não medo do meu futuro com você. Sinto medo do meu futuro com aqueles que me rodeiam. Mas mesmo assim, é como se eu não pudesse me afastar. É como se você tivesse se tornado um vício. É como se eu dependesse do que você quer. É como subir ao topo do mundo; e não conseguir descer sem a sua ajuda. É como escrever a letra; pra você completar o refrão. É como correr esperando seu sorriso. É como querer ir para qualquer lugar; esperando sua carona. É como me sentir forte; quando minha força está em você.


“nobody wants to face the truth
but you wont believe what love can do
till it happens to you ”

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Os Seus Anseios

A casa tinha uma luz de fim de tarde deprimente. Mas ao mesmo tempo calma. Tranquila. Ela observava a pilha de livros, uns sobre os outros. Queria arranjar tempo para ler todos eles. Ela imaginava o sorriso dele sem poder tê-lo por perto. E quando ela sentia inspiração na maioria das vezes era ele quem a dava. Ela se sentia cansada, não entristecida, somente cansada. Queria sentar na beira daquela praia e só olhar o mar. Sentir a brisa leve que trazia o cheiro dos mariscos. Ela apenas sentia que não tinha sorte; mas que esta, por sua vez iria chegar. Às vezes ela se sentia injustiçada, e às vezes se sentia abençoada. Porque ela sabia que mesmo que aquele pequeno lugar parecesse estranho aos seus olhos, ele estava lá. E a fazia feliz mesmo que não notasse isso. Noutras vezes ela era atormentada pelo passado, como se ele não quisesse deixá-la em paz, mas ela sempre podia se recompor. O que ela queria saber era o tamanho da espera, talvez o tempo contado em dias ou em minutos, mas isso não ia acontecer.

Naquele lugar tudo parecia diferente. As pessoas, as lojas e casas. Ela não sabia bem se tudo havia mudado apenas aos seus olhos que começaram a ver de forma diferente, ou se tudo havia se encaixado do mesmo jeito para todos. Mas, ela se permitia pensar, criticar e sonhar. E sabia que quando quisesse podia se desfazer em mil pedaços, suplicar paciência ou ser forte e não voltar atrás em nenhuma decisão tomada.Ela era assim, e queria continuar assim pra vida toda. Só esperava o dia em que ia poder vê-lo ali, sem sentir culpa de nada, pensando somente em beijar sua boca e sentir de novo o gosto da vida.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Falta que me Faz

O frio faz e acontece lá fora. Aqui dentro, só a minha essência. Sozinha. Observando a pressa do vento. Quando parece tudo perfeito, vem um sentimento estranho. Parece que me ‘falta’ alguma coisa. Não está tudo completo. Quanto mais acontece, mais falta a completar.
Cada gota que cai da torneira mal fechada, é uma gota da insônia que não consigo afugentar. Do pensamento que não consigo esquecer. Da tontura que me toma e me deixa torpe. Eu te quero aqui. Mas não assim. Parece até distante, diferente, obrigado. Não é seu dever, ou é seu desejo que te traz até mim? Não é você. É a minha culpa e minha insatisfação por não ter toda a carência suprida. E quando eu penso, eu noto que te amo. E é por isso que o medo de te perder vence a coragem de me mostrar. Eu te quero. Mas sempre a falta me invade. É idiotice minha, mas é notável aos meus olhos, o que você faz.
A cada sinal de correspondência, aquilo que falta a completar se mostra. E cada vez o enxerto fica menor.
Se mostre. Me mostre o que você quer. O que você necessita. Eu faço o que precisar, pra te ter comigo até o fim. Só me mostre que você quer o mesmo. Porque o que eu quero, é o seu olhar pela manhã. Eu quero seu sorriso perto de mim. Eu quero guardar as suas palavras soltas, para ouvi-las quando eu precisar. Eu quero sentir você presente, em cada momento de desejo. Eu quero ter você aqui, até o meu amor escapar por entre os dedos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A Cegueira Da Alma

Ela se prepara. Espera. E curva seu coração diante do desejo dele. É como se o oferecesse á ele em uma bandeja. Ele tem quantas opções quiser. Quantas chances quiser. Ela não se importa com isso; diz que dará á ele todas as oportunidades de errar que ele precisar. Mas diz isso tentando esconder a dor que sente. A dor que assola seu coração desde que ela sentiu a indiferença dele. Desde o começo. Ele brinca dizendo que ‘um dia os dois serão felizes.’ Ela adoraria acreditar. Mas já se decepcionou antes. Teme que aconteça de novo. Porque particularmente, o amor a cega. Por mais que ele tenha tido infinitas chances ela não se cansa. Ela continua constantemente com aquele brilho no olhar de eterna apaixonada. Sempre que ele diz que a ama ela sente a desconfiança de que não seja verdade. É quando ela se sente pior. Quando ela deita á noite e pensa no que está fazendo a si mesma. No quanto está se destruindo. Aí ela chora e em meio a prantos adormece pesando:
‘A pior cegueira, não é a do coração. É a da alma.’
E sabem porque meus amigos? Porque o coração se recupera. Sobram cicatrizes e lembranças mas ele se recupera. Basta achar aquele que abra seus olhos. Mas a alma, é como os neurônios. Não é reposta, não se recupera. A alma perde um pedaço de si. Quem é cego da alma , não recebe ‘doação de córneas’.
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Bom gente, aqui tem mais um selo, que eu recebi da querida Juliana do blog 'Névoa Tênue' [http://nevoatenue1.blogspot.com/] .
Muito obrigado Ju :D
Como não me informaram das regras deste selo, eu o deixo em aberto para quem quizer tê-lo. o/
E eu também gostaria de agradecer a Édna do blog 'Universo Infinito' [http://meuuniversoinfinito.blogspot.com/] que me indicou para o selo 'Este blog me faz Sorrir', queria dizer que eu já recebi este selo, mas mesmo assim muito obrigada :D

quinta-feira, 2 de julho de 2009

25 Coisas que Aprendemos lendo 'Sexo, Drogas e Rolling Stones'

Bom, hoje decidi fazer um post diferente só para 'divertir' um pouco. hehe!

Saca só:
1. Fazer rock’n’roll de qualidade é simples. Fazer blues de qualidade é difícil pra cacete!
2. Cortar o cabelo com um penico como os Beatles é legal, mas não cortar é melhor ainda!
3. Misturar pudim de chocolate, whisky e ternos novos, não é uma boa idéia.
4. Escrever letras de músicas na marra dá certo.
5. Jogar tv’s pela janela é mais divertido do que parece.
6. O Brasil é um bunda-lê-lê dês da década de 60.
7. Música de macumba, para Mick Jagger, é samba.
8. É possível trocar de sangue.
9. Ser uma pessoa do contra é mais legal do que ser certinho.
10. Cocaína e heroína o tempo todo te rendem 5 noites sem dormir e desmaios depois dos shows. (Keith que o diga! Haha)
11. Bobby Keys era mais chapado do que todo mundo pensa.
12. Largar o crack é possível! Já o álcool nem tanto. (sorry, Ronnie.. hahaha)
13. Na vida de rockstar, cornear e ser corneado são conseqüências óbvias.
14. Pegar o David Bowie deve ser uma loucura.
15. As melhores festinhas são as da casa do Ron.
16. Mick Jagger e Keith Richards, lá no fundinho, se adoram.
17. Não é preciso ser bonito pra pegar a mulherada.
18. Tocar guitarra bêbado às vezes dá certo.
19. Roadies são metade sangue-sugas.
20. Keith Richards é imortal.
21. Charlie Watts batendo em Mick Jagger é uma cena linda de se ver.
22. Keith Richards + Ron Wood = Baixaria e putaria.
23. Fazer shows de graça convidando motoqueiros para a segurança do lugar, dá em morte.
24. Tocar para 1,5 milhão de pessoas é encantador.

25. Os Rolling Stones já fazem parte da cultura do rock e do blues.

Fotos: Mick Jagger e Keith Richards; Rolling Stones.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Partículas de Pó

Ele saiu de manhã querendo pensar. Querendo ela. Foi á praça e sentou-se. Um casal de hippies conversavam na grama. Na sombra de uma árvore. Ele contemplou os dois; envoltos em uma energia tão sua, sem igual. Um para o outro. E só. Nada mais, ninguém mais.
Ele decidiu pegar o telefone e ligar para ela:
- Mariana? Oi! Ainda está de pé o nosso compromisso de hoje á tarde?
Ela respondeu que sim, com sua voz aveludada, que era capaz de fazer seu coração se encher de flores em pleno inverno.
Ás duas da tarde, como o combinado, ele tocou a campainha da casa dela. Seu coração se descobria ao vê-la. Se encontrava e sorria ao ver seus cabelos castanhos balançando, ao ver seu jeito hostil de andar.
Ela abriu a porta e os dois foram para a sala. O ambiente estava silencioso. O sol banhava o cômodo, e o gato cor de mel passeava tranqüilo por entre as samambaias da varanda.
Os dois conversaram, se beijaram. Ele lhe contou uma história intrigante e bem humorada que acontecera no trabalho, no dia anterior. Ela riu, ele acompanhou.
Ele a olhou nos olhos, e acariciou seu rosto. Ela, com um meio sorriso suspirou e fechou as pálpebras saboreando o momento. Ele a observou por alguns segundos. Conhecia cada centímetro de seu rosto. Já havia decorado cada canto de seu corpo. E então, recebeu como um baque, a nova descoberta. Quis gritar. Com um sorriso ele disse:
- Acabei de notar uma coisa...
Ela ficou em silêncio. Ele continuou:
- Eu te amo.
Ela lentamente, abriu os olhos e o admirou sorrindo. Era a primeira vez que ele lhe dizia aquelas três palavras. Aquelas três pequenas palavras que ela esperou tanto.
- Eu também te amo. – disse ela. Os dois sorriram e se abraçaram. Ela respirou fundo, e ele olhou pela janela o sol entrando como um intruso. Como se quisesse participar daquele momento. O gato agora, dormia na varanda. No ar ele notava partículas de pó flutuando. Ele fechou os olhos também e naquela hora, percebeu que tinha encontrado nela a coisa mais incrível e importante de sua vida.